Videolog – Tropa de Elite 2

Anúncios
Publicado em videolog | Marcado com , , | 2 Comentários

Quase Famosos e o espaço no meu coração

Depois de tentar escrever sobre ‘’Quase Famosos’’ quase que 20 vezes, desisti. ‘’Quase Famosos’’ é um filme afetivo, autobiográfico, cheira à nostalgia, à naftalina. Tem aquele sentimento de quando a gente revê uma fotografia velha, sabe? Aquele sorrisinho que a gente solta quando lembra daquele momento. Os créditos iniciais (uma homenagem a ‘’To Kill a Mockingbird’’) são sinceros e simples, mas tão bonitos e efetivos em colocar o espectador naquele universo, que é muito mais do que o universo da música e do rock, e sim o universo do protagonista.

O filme tem um lugar especial no meu coração. Vi pela primeira vez no cinema, acho que tinha uns 11 anos, numa das antigas salas do shopping Eldorado. O filme bateu forte, sai meio embriagado da sala, sem rumo. Não muito tempo depois comecei a escutar música pra valer, ganhei um cd dos Beatles (aquela coletânia de singles ”1”) e o ‘’Is This It’’, dos Strokes, até hoje um dos meus albúns preferidos.

Esse tipo de filme, aquele que não apenas te emociona, mas muda sua maneira de ver as coisas, é especial.  Já revi muitas vezes ‘’Quase Famosos’’, estou ciente de seus (pequenos) defeitos, mas ele tem lugar especial no meu coração. Revisitar o universo criado por Cameron Crowe é rever um período meu por qual tenho muito carinho e o qual, não importa quantas vezes assisto o filme, nunca falha em me emocionar.

Publicado em resenhas | Marcado com , , , , , , , | 4 Comentários

Videolog – É Proibido Fumar

Para assistir ao trailer de É Proibido Fumar: http://www.youtube.com/watch?v=zQmZLRfkhrE

Publicado em videolog | Marcado com , , , , | 2 Comentários

Alfie, o sedutor

Podemos classificar este filme como uma comédia romântica para os homens solteiros.

Alfie (Jude Law) é um rapaz que prefere curtir a vida à ganhar dinheiro.  Trabalha como motorista em uma empresa de limusine com um amigo Marlon (Omar Epps) e, no seu tempol livre, transa com mulheres.

Viramos seu confidente já no começo do filme quando Alfie começa a se relacionar com o público (conversando com a câmera), justificando e questionando suas atitudes. Apresenta sua humilde casa – onde raramente leva uma mulher – e seu armário repleto de roupas de grifes famosas que comprou em algum brechó de Manhattan.

Já deu para perceber um pouco do tipo deste herói. Alguém que sabe usar seu charme e encanto para seduzir as mulheres. Sequer perdoa sua vizinha, uma senhora de uns setenta anos, que se propõe a arrumar sua casa enquanto ele trabalha. Durante a jornada de trabalho, as vítimas são as mulheres, amantes ou namoradas de seus clientes. De vez em quando alguma moça solitária o procura para mais uma noite de prazer ou quem sabe ele só queira passar a noite com alguém mais experiente. Quando precisa de um pouco de afeto e comida caseira, corre para sua, digamos, namorada.

A jornada de Alfie, porém, não é feita só de conquistas. Há também algumas perdas, mas que não parecem lhe afetar muito. Quando vê seu “milagre de Natal” partindo debaixo de um temporal, não notamos nem uma mágoa em seu olhar. O caso aperta quando algo acontece entre ele e a namorada de seu melhor amigo, talvez a única parte que o tenha comovido.

A conversa na praia com seu novo amigo, um velhinho que com certeza tem muita experiência e algo a ensinar e, a conclusão do filme, um diálogo entre o sedutor e nós – sem uma resposta clara e objetiva, tiram de quem assiste um sorriso do tipo: gostei.

Diferente da primeira versão do filme de 1966, Alfie – Como Conquistar as Mulheres, do diretor Lewis Gilbert, baseada em uma peça de Bill Naughton, o remake de 2004 não tem a intenção de chocar, constranger ou formar determinada opinião. O protagonista desta nova versão, talvez pela brilhante atuação de Jude Law, tem um brilho próprio, um embasamento forte por trás de seus atos, é alguém com conteúdo. Em linhas gerais, não se vende por qualquer coisa.

A beleza dos personagens é outro ponto forte para assistir está película. Ponto extra para Sienna Miller que, me perdoem, mas não consigo transmitir em palavras tal atuação.

Se nada disso te comoveu, quem sabe uma trilha feita por Mick Jagger, Dave Stewart e John Powell.

 

 

 

 

Publicado em remake | Marcado com , , , | 2 Comentários

Alice

“A meio caminhar de nossa vida

fui me encontrar em uma selva escura:

estava a reta minha via perdida.”

Dante Alighieri (A Divina Comédia, Inferno – canto primeiro)

Dirigido por Claude Chabrol, cineasta francês, o longa-metragem de 1977, Alice, também intitulado A Última Fuga (la dernière  fugue), narra a história da personagem homônima – interpretada pela bela atriz neerlandesa Sylvia Kristel – que, insatisfeita com o matrimônio, abandona a casa do marido, e precisa passar o serão noturno em um casarão antigo, habitado por um misterioso mordomo  que a recepciona e por um anfitrião velho (chamado Henri Vergennes) que a acolhe, após seu carro ter sido danificado em uma estrada inóspita pelas tempestades que coriscavam a noite e rasgavam os céus.  Levada aos seus aposentos para repousar, Alice repara que o pêndulo do relógio no quarto está parado, estático, em união com a própria realidade do ambiente, ao que o anfitrião lha responde que este está quebrado; o tempo, enfim, não é importante.

Na manhã consecutiva a uma noite de ocorrências insólitas (o relógio, enquanto Alice dormia, volta a pendular, ela desperta com bizarros sons de algo parecido com transmissões distorcidas, uma coisa meio alienígena, até) ela decide continuar viagem; vê que seu carro foi concertado na véspera, procura Vergennes e o mordomo, embora não os encontre, deposita sua bagagem no banco do automóvel, gira a chave, liga o motor, dirige para a saída da propriedade a fim de voltar à rodovia, e é aí que ela dá-se do princípio da situação em que está encerrada: o casarão fica no centro da propriedade, que é constituída por bosques cerrados de longas árvores; todavia, eles não têm fim, ou melhor, são destituídos do princípio lógico e natural da extensão espacial que, quando percorrida, leva à continuidade dessa mesma extensão, desde que o caminhante não seja obstruído por obstáculos geográficos – mas não são as leis físicas que a impedem de sair, e sim a falta de um princípio tal, pois ela sempre retorna ao ponto de origem, o casarão onipresente. Esta é uma obra invulgar vista as anteriores e posteriores do diretor Chabrol, que morreu no dia 12 de setembro de 2010, cujo gênero é o drama fantástico.

Curiosa característica essa do filme, a do tempo. Ele tem dois sentidos que se complementam e atuam conjuntamente. O primeiro tempo é o da interinidade, presente, por exemplo, nas horas em que funciona o pêndulo do relógio, e uma série de eventos fantásticos começam a acontecer a partir daí. O segundo tempo é o da lógica intemporal, metaforizada no universo paralelo no qual Alice está, representando, na verdade, a sua morte, mostrada na última cena, que faz compreender o porquê dos personagens que aparecem a Alice não dialogarem por intermédio de perguntas, e nem responderem a quaisquer umas feitas por ela, o que é incrível, pois à medida das perguntas feitas e não respondidas, a curiosidade e as suposições de quem assiste só aumentam; enfim, o porquê de todos esses mistérios é que a morte não esclarece as questões, não há perguntas por que não há respostas, simplesmente.

Pode até ser que Chabrol tenha se inspirado na ideia base da Divina Comédia do poeta florentino Dante Alighieri para o roteiro. Como se sabe, Dante desceu ao inferno e seus círculos, contudo não estava morto, mas vivo, diferente de Alice. No inferno ele observa os castigos imputados nas almas flageladas, que contrariaram os preceitos cristãos e da igreja católica, e sofrem o peso da moralidade sob o suplício da dor eterna. Em semelhança ao poema, o bosque seria a “selva escura” por qual Dante caminha perdido, o casarão o limbo e a pequena porta que desde o início mantem-se trancada e aguça a curiosidade de Alice é, segundo as estranhas explicações de Vergennes, a passagem pela qual os espíritos obscuros saem para seu mundo; porém, da mesma forma que tais espíritos maus podem sair, ela pode entrar. Essa porta seria, em relação ao poema e à própria ideia factual do filme, o portal para o inferno; no filme, no entanto, a única forma de Alice retornar ao seu mundo verdadeiro, escapando do limiar atemporal, é descer a escadaria da porta e chegar ao inferno, onde ela passará uma espécie de “transformação física, moral” (nas palavras de Vergennes), e depois de algum tempo, não muito tempo, claro, assim espera ele, poderá ela retornar à sua realidade e civilização. Pode ser visto no filme, então, o inferno como renovação e a busca pela essência, e isso, de fato, é o verdadeiro inferno do homem.

Publicado em resenhas | Marcado com , , , | 1 Comentário

Trailers e porque não vê-los

Qual a importância de um trailer para um cinéfilo?

Sabemos que o trailer serve, principalmente, para vender o filme para o público. Quanto mais grandioso e mais bem montado, melhor, mais a plateia aguardará sua estreia. Tivemos, por exemplo, o famoso caso de pessoas que foram assistir o filme ‘’Beijos que Matam’’ (aquele com Morgan Freeman e Ashley Judd) apenas para ver em primeira mão o trailer de ‘’Star Wars – Episódio 1’’ – vale lembrar que naquela época as pessoas não usavam a internet tanto quanto hoje, e trailer ficava famoso no cinema.

Ok, esse é seu ‘valor’para o grande público, mas e para o cinéfilo mais experiente, aquele que formula seu interesse em filme por causa de quem está dirigindo ou atuando, e não por causa de uma peça publicitária – apesar de ser possível argumentar que uma pessoa não tão fanática por cinema assista o filme do Tom Cruise não por causa do trailer, mas sim por que é estrelado por Tom Cruise. Na minha opinião trailers nada mais são do que estraga-prazeres. Ainda mais hoje em dia com essa mania irritante de deixar tudo mastigado para o público, os trailers têm se transformado em verdadeiros festivais de spoilers. As grandes cenas de ação constam todas no trailer, os melhores diálogos, as melhores piadas (assista o trailer de ‘’Se Beber Não Case’’ e veja se todas as grandes piadas não estão lá), enfim, tudo o que é possível ser feito para impressionar o espectador é feito. E com isso o pacote final fica estragado, as surpresas não existem mais e o espectador nunca é surpreendido de fato.

Casos recentes como o trailer misterioso de ‘’Cloverfield’’, que surgiu do nada, sem atores famosos e sem explicação nenhuma (sabe-se que está havendo algum tipo de catástrofe em Nova York e no final temos a famosa imagem da cabeça da Estátua da Liberdade sendo arremessada numa rua da metrópole) foram ações de marketing cuidadosamente planejadas, com prazo de validade curto já que a internet logo trata de contar tudo sobre o filme… Tentativa que, ao tentar ser repetida pelos produtores de ‘’Cloverfield’’ no novo longa intitulado ‘’Super 8’’, não se revelou das mais acertadas. A informação sobre o trailer, que funcionava no mesmo esquema do filme de monstro em NY (ou seja, mostrava pouco e fazia muito suspense), vazou dias antes de sua premiére e a surpresa foi para o ralo.

A internet, sempre ela, também tem sua parcela de culpa. A quantidade de surpresas que sites como Collider, Joblo, Latino Review e Ain’t It Cool News (esse último se revelando um problema tão grande para as produtoras que seus colunistas foram tratados como persona-non-grata no sistema de Hollywood durante um bom tempo) já revelaram é enorme. Roteiros vazados, e consequentemente analisados, e até fontes de dentro das empresas colaboram para que tudo que é produzido num set de filmagem logo vaze e se torne conhecimento do público.

Eu não acho que exista nenhuma solução para os trailers. É como funciona a máquina do cinema, as pessoas tem que se sentir atraídas para assistir aos filmes, e o trailer ajuda nisso. Apesar de ser fã de todo ritual que envolve ir ao cinema (chegar com as luzes acessas, escolher o lugar, olhar a sala se encher…) atualmente tenho preferido chegar um pouco mais tarde, entrar com as luzes apagadas e o filme começando, do que ter a história inteira de uma comédia romântica estragada. Mas há quem diga que comédia românticas não tem mais graça nenhuma, então…

Publicado em discussões | Marcado com , | 5 Comentários

Videolog – Estômago

Para assistir ao trailer de Estômago: http://www.youtube.com/watch?v=FimMphR-rEE&feature=related

Publicado em videolog | Marcado com , | Deixe um comentário