This is England!

Julho de 1983. É manhã e o despertador toca mais uma vez. Para o solitário Shaun, de 12 anos, é mais um árduo dia que ele terá de enfrentar, seja na escola ou no seu bairro. As roupas herdadas do pai que faleceu na Guerra das Malvinas há pouco tempo é motivo de piada para os outros estudantes, principalmente sua calça boca de sino. A dor da morte do pai ainda revolta o garoto que briga constantemente na escola. Certo dia voltando para casa ele se depara com alguns skinheads que o chamam para conversar, a primeira vista ele se sente bem no ambiente, pois um skin chamado Woody tenta animá-lo fazendo brincadeiras relacionadas ao rapaz com quem Shaun havia brigado, porém um bate boca reativa toda a raiva que ele estava sentindo e faz com que ele vá embora.

No outro dia os skinheads procuram Shaun e se desculpam, convidando ele para um passeio até as casas abandonadas. A cada dia que passa o menino se sente mais a vontade com suas novas companhias, até que ele acaba se transformando em um skinhead, como nos velhos tempos, quando as únicas preocupações eram ouvir música jamaicana, amizade e diversão.

Tudo vai bem, até que Combo, um skinhead que estava preso a 3 anos, reaparece com ideias nacionalistas e discurso racista, deixando o clima extremamente tenso, já que Milky descendente de jamaicanos, se sente ofendido com as histórias que Combo conta. Vale ressaltar a brilhante atuação de Stephen Graham no papel de Combo, quase todas as cenas que ele aparece é possível sentir o ambiente desconfortável que ele consegue criar, além das expressões faciais de raiva que ele apresenta ao longo do filme.

Na manhã do outro dia, Combo vai até a lanchonete que os skinheads estão e convoca uma reunião em seu apartamento. Todos vão, e quando chegam lá se deparam com um discurso nacionalista e uma convocação para lutar junto a ele pelos seus novos ideais. Os únicos que aceitam ficar são os garotos mais novos, que ficam deslumbrados com o poder de Combo em exaltar a Inglaterra, a partir dai o filme se desenrola mostrando esse novo lado nacionalista que começou a contaminar a subcultura skinhead.

Os diálogos foram montados de forma muito inteligente, a introdução dos créditos também é um ponto forte do filme, mostra todo o cenário que a Inglaterra passava nos anos 80, ao som de uma dos grupos mais representativos da música jamaicana, Toots & The Maytals.

This Is England é sem sombra de duvidas um filme magnífico. A atuação do garoto Thomas Turgoose é incrível, desde seus momentos de extrema agressividade e xingamentos até suas crises de gargalhada. O diretor inglês Shane Meadows, que viveu esse revival do skinhead no começo dos anos 80, alavancado pelo movimento punk e 2 tone, soube mostrar como tentaram colocar a política em uma subcultura onde a maior parte dos adeptos eram jovens ainda em fase de formação.

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As Melhores Coisas do Mundo e Entrevista com Gabriela Rocha

Um filme nacional que conta a história dos adolescentes da classe média. Inspirado na série de livros “Mano”, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto, a diretora Laís Bodanzky junto com seu marido, o também roteirista, Luiz Bolognesi mostram as ansiedades, dúvidas, problemas e alegrias dos jovens de hoje.

Mano (Francisco Miguez), em sua jornada com seus melhores amigos Deco (Gabriel Ilanes) e Carol (Gabriela Rocha), vai a festas, descobre o sexo, drogas, a relação entre amor e ódio, traição, brigas familiares, problemas na escola e, ainda arruma tempo para aulas de violão com o professor Marcelo (Paulo Vilhena).

Os atores, digamos, com mais experiência, no caso Caio Blat, o já citado Paulo Vilhena e, a sempre incrível, Denise Fraga estão muito bem e dão a película certa credibilidade. Credibilidade tal que não seria perdida com os atores mais novos, que desempenharam seus papéis brilhantemente. Arrisco-me a dizer que foram melhores do que os produtores esperavam.

A participação de Fiuk é muito regular. É importante alguém de sucesso atual para a vendagem da película. O ator corresponde bem às expectativas.

A fotografia do filme é espetacular, ainda mais para quem vive em São Paulo e convive com estas paisagens todos os dias e, ao certo, muitas vezes, nem se dá conta da beleza da cidade.

A trilha sonora também não deixa nada a desejar. É importante saber que, o que se passa no filme, não foi decidido por mero acaso. Os produtores, diretora e roteirista fizeram uma pesquisa árdua para entender melhor a cabeça desta geração. Durante um debate após a estreia do filme, Bodanzky disse que a resposta mais comum dos jovens sobre gosto musical era: “Os Beatles, depois de sou bem eclético”, frisa.

O filme aborda temas relevantes para a sociedade em geral, além de excelente entretenimento.

Se ainda não viu, veja. Não há uma faixa etária estipulada, todos deveriam assistir a este filme e descobrir quais são as melhores coisas do mundo.

Entrevista com Gabriela Rocha, 17.

  • Gabriela você já havia feito algum outro filme antes?
  • Não, este foi o primeiro.
  • E como foi a seleção para participar do filme?
  • A produção visitou várias escolas de São Paulo, quem quisesse poderia participar do teste. Depois tiveram mais alguns. Eu fui passando e acabei no filme, assim como todos os atores adolescentes.
  • Podemos notar que há uma naturalidade muito boa na trama. Vocês se prendiam ao roteiro ou podiam improvisar?
  • A gente tinha que pegar a ideia principal, mas falávamos com as nossas palavras.
  • Qual a cena que você mais gosta?
  • Eu amo a cena dos ovos da Denise Fraga com o Francisco (Mano). Acho que ficou maravilhosa.
  • Diferente de outros filmes com adolescentes, neste, os atores têm a mesma faixa etária que os personagens. O que pensa a respeito?
  • Eu acho que ter a mesma faixa etária dos personagens faz muita diferença. Pessoas de 25 anos fazendo papel de 17 deixam meio falso.
  • Os outros atores que contracenam com você parecem ser bem próximos. Vocês são amigos hoje? Já eram antes?
  • O único que eu já conhecia era o Gabriel Illanes (Deco). O resto, nós nos conhecemos no processo de seleção ou nos ensaios e acabamos ficando amigos. Infelizmente a maioria perdeu o contato.
  • Apesar de certa dificuldade, notamos que você é paulistana. Você realmente tem esse amor pela cidade? O que mais gosta?
  • Eu AMO São Paulo, eu gosto de tudo, sou muito tiete.
  • O filme aborda assuntos relevantes na mídia, como o bullyng. Já esteve em alguma situação? O que pensa?
  • Eu nunca sofri bullying, mas eu acho que esse é um assunto que devia ter sido tratado mesmo no filme, porque merece importância, pois pode traumatizar uma pessoa pela vida inteira.
  • Outra questão é sobre o maior envolvimento dos jovens em questões sociais e culturais, com mais liberdade. Já que você faz parte dessa transição, conte-nos como anda este processo. Como você enxerga o jovem de hoje.
  • Acho que os jovens são sempre os mesmos, só mudam os brinquedos.
  • Para finalizar, como estão seus planos para o futuro? Quando os fãs irão ver você atuando novamente?
  • Por enquanto sem planos, só terminar o colégio esse ano.
Projeto educativo – http://www.warnerlab.com.br/asmelhorescoisasdomundo/site/projeto_educativo/index.html
Site oficial – http://www.warnerlab.com.br/asmelhorescoisasdomundo/site/
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Revolta em Boot Hill

Revolta em Boot Hill (Showdown at Boot Hill) – 1958 – conta a história de um agente federal mexicano Luke (Charles Bronson) que vai para outro condado dos EUA para prender um assassino. Porém, Con Mayor, apesar de seus crimes, não é visto como uma pessoa má ou perigosa, pelo contrário, é venerado e respeitado pela alta sociedade e população do local.

Quando Luke o encontra no restaurante de um Hotel, Con Mayor se recusa a ser preso alegando que não é procurado no condado. O agente mostra, então, o mandado de busca e diz que não deixará a cidade sem ele; vivo ou morto. Eles se dão conta de que Luke é um caçador de recompensas – muito comum naquela época – e são obrigados a duelar. Mesmo sacando sua arma antes, o criminoso morre.

Os moradores da pequena cidade do Oeste ficam furiosos com o ato do policial. O juiz, o delegado e ninguém concedem a Luke o atestado de que, ele, realmente matou Con Mayor. Então o agente federal se vê obrigado a permanecer no condado até que consiga alguma prova para cobrar sua recompensa, de duzentos dólares americanos.

Ele se hospeda no mesmo Hotel em que Sally Crane (Fintan Meyler), garçonete do restaurante onde o duelo ocorreu, vive. Ele se interessa pela moça por vê-la como uma pessoa solitária – sentimento que o herói também carrega. A moça é filha da prostituta mais famosa da cidade e, portanto, não é respeitada pelos gordos e arrogantes homens que frequentam o restaurante.

O irmão de Con Mayor é avisado sobre o incidente, e promete vingança. Outros cidadãos também se cansam da presença de Luke e resolvem matá-lo.

Antes disso, o jovem conhece uma vendedora de roupas, também mexicana, que lhe dá força com Sally e o ajuda superar seu trauma e tomar uma decisão que mudará sua vida para sempre.

Um curioso personagem é o barbeiro, médico e coveiro do condado, uma espécie de consciência de todos e que tem um papel importantíssimo nesta bela trama.

O enterro de Con Mayor acontece no cemitério de Boot Hill e é onde todos se encontram revelando o desfecho desta película.

Revolta em Boot Hill É um filme emocionante e brilhante.

Sem contar a falta dos bigodes de Charles Bronson e o lado romântico do homem de poucas palavras e muita ação.

 

10 cemitérios para visitar antes de morrer (Boot Hill)
http://www.cemiteriosp.com.br/10cemiterios.htm
Filmografia de Charles Bronson –
http://www.charlesbronson.info/films.html

 

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Scott Pilgrim Contra o Mundo

‘’Scott Pilgrim Contra o Mundo’’ chegou quase que por milagre a poucos cinemas da cidade de São Paulo. ‘Comovidos’ por uma campanha que começou com o site Cinema com Rapadura, os executivos da Universal tupiniquim resolveram dar uma chance ao filme e solta-lo em 3 salas da cidade para ver como seria a recepção. A sessão que eu compareci estava estranhamente cheia para um domingo às 10 e 30 da noite (mas vale dizer que eu não sou de frequentar cinemas domingo a noite, portanto minha opinião sobre a quantidade de pessoas na sessão pode não ser das mais confiáveis), e o público respondeu muito bem a mistura de HQ, game e cultura pop/nerd que é esse filme.

Baseado na HQ de mesmo nome do canadense Bryan Lee O’Malley, o filme acompanha a história de Scott Pilgrim (Michael Cera), adolescente de vinte e poucos anos que mora em Toronto, tem uma banda (a Sex Bob-Omb) e atualmente namora uma chinesa de 17 anos, Knives Chau (Ellen Wong). Sua vida vira de cabeça para baixo quando conhece a garota dos seus sonhos (literalmente), Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead). Só que para ficar com ela, Scott terá de lutar contra seus 7 ex-namorados.

Grande parte do por que ‘’Scott Pilgrim’’ funciona tão bem é por que foi dirigido por um sujeito chamado Edgar Wright. Whright chamou a atenção dos cinéfilos ao redor do mundo com a paródia de filmes de zumbi ‘’Todo Mundo Quase Morto” (e se você ainda não viu esse filme, faça-o imediatamente). Para aqueles mais antenados, Whright foi um dos responsáveis pela igualmente fantástica mini-série britânica ‘’Spaced’’, outra produção recheada de refêrencia a video-games, filmes e tudo relacionado à cultura nerd. Todo esse furacão de referências funciona tão bem por que Wright entende sobre o que está sendo jogado na tela; quase que num nível inconsciente, nós sabemos que Wright passou horas jogando ‘’Street Fighter’’, ouvindo ‘’T.REX’’ e assistindo dezenas de filmes, e é por isso que quando vemos uma batalha de bandas virar um confronto entre dragões e gorilas, não ligamos para o absurdo da situação, apenas torcemos para os personagens.

E temos também o elenco, perfeitamente escalado. Não é incomum ouvir que Michael Cera interpreta sempre o mesmo personagen, o nerd loser porém cool que fica com a menina no final, e eu concordo com isso. Também não é incomum ouvir que filmes de ação de hollywood são todos iguais, mas quando um filme de ação de hollywood é bem feito, eu não tenho problema nenhum em dizer que gostei dele. E quando esse tipo de ‘’personagem Michael Cera’’ é bem usado, eu não tenho nenhum problema em dizer que Michael Cera É Scott Pilgrim. Cera carregada o filme muito bem, e parece surpreendentemente convincente tanto nas cenas mais dramáticas quanto nas cenas de luta. Eu nunca achei que ia dizer isso, mas Michael Cera sabe como chutar bundas. O resto do elenco está muito bem também, com destaque para Kieran Culkin, que vive o amigo gay e colega de quarto de Scott, Wallace Wells, e Mary Elizabeth Winstead (por quem eu me apaixonaria apenas pelos seus expressivos olhos), que dá vida a uma Ramona Flowers tão apaixonante quanto a da HQ. E fiquem atentos para uma cameo impagável de Thomas Jane e Clifton Collins Jr.

‘’Scott Pilgrim’’ ainda tem muitos outros pontos positivos. A trilha sonora, com músicas compostas por gente do gabarito de Beck e Broken Social Scene, os efeitos especiais e sonoros, com referências à Seinfeld, Zelda, Flash Gordon e todos os games de luta do Super Nintendo ou de como é surreal ver que a grande luta do ano não é a de fortões como Stallone ou Statham, mas sim de dois sujeitos magricelos como Michael Cera e Jason Schwartzman, ou de que podemos interpretar essa história não de como um cara lutando contra outros caras para ficar com uma menina, mas lutando contra si mesmo para superar relacionamentos passados e parar de ser um idiota….

Enfim, não vou ficar aqui escrevendo parágrafos e parágrafos de como esse filme é ótimo, apenas peço para que você apoie esse tipo de cinema e vá assistir ‘’Scott Pilgrim’’ hoje, o mais rápido possível.

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Videolog – Romance

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O Conformista

‘’Todos gostariam de ser diferentes mas você, ao contrário, quer ser igual a todo mundo’’ diz um personagem a Marcelo (Jean-Louis Trintignant) em certo momento deste belo filme de Bernardo Bertolucci, ‘’O Conformista’’.

Marcelo, nosso protagonista, está em uma missão para Mussolini: localizar um antigo professor seu que se escondeu na França devido a ascenção do movimento fascista e matá-lo. Está para se casar com uma jovem boba e fútil, Giulia (Stefania Sandrelli). Giulia representa a normalidade que Marcelo aspira durante toda a película, procurando se encaixar no sistema, ajudar o governo, casar, ter uma vida normal, virar um conformista.

Imagino o furor que este filme deve ter causado na época em que estreiou. Contado de maneira não linear, quase que no fluxo da memória do protagonista, ‘’O Conformista’’ é dono de algumas das mais bonitas cenas da história do cinema. Fotografado pelo genial Vittorio Storaro, o filme de Bertolucci é permeado de imagens inesquecíveis. A dança dos cegos; o assassinato na floresta; as flores esvoaçantes no jardim… O trabalho de Storaro é um marco, e não demorou muito para que Hollywood reconhecesse seu talento e Francis Ford Coppola lhe chamasse para cuidar da fotografia de outra obra-prima do cinema, ‘’Apocalypse Now’’.

Bertolucci, então com apenas 29 anos, também obteve fama internacional com ‘’O Conformista’’. Seu filme ganhou prêmios em Berlin e foi indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro adaptado. O diretor certamente possui outros bons trabalhos, mas nenhum chega tão perto da perfeição como ‘’O Conformista’’. O curioso é que quando o cineasta propôs a adaptação do livro do escritor Alberto Moravia a Paramount, ele próprio não havia lido a história; o projeto foi aproveado e  um mês depois ele começou a produzir o roteiro. Bertolucci colocou toques seus na história. O alvo de Marcelo, o professor Quadri (vivido por Enzo Tarascio), é claramente inspirado em Jean-Luc Godard, um dos ídolos do diretor italiano; quando Marcelo pede para a operadora ligar para o professor, o telefone que lhe é dado é de um antigo número de Godard; o protagonista recorda-se que em uma aula Quadri disse ‘’O tempo para refletir acabou. Agora é o tempo de agir’’. Essas são as primeiras falas de ‘’O Pequeno Soldado’’  filme dirigido por Godard.

Para o papel de Marcelo Clerici, o conformista do título, o cineasta escolheu o francês Jean-Louis Trintignant, que alguns anos antes havia feito o excelente ‘’Z’’, de Costa-Gavras. Trintignant é um dos poucos atores que fala sem precisar dizer uma palavra; sua cara faz um papel muito melhor do que a sua boca em expressar emoções e sentimentos. Há claras insinuações durante o filme de que seu personagem, vítima de abuso sexual quando criança, seja homossexual, o que me parece uma interpretação muito correta. Perceba o modo como Marcelo senta, ou de como fica envergonhando quando a empregada passa na sala bem no momento em que sua noiva o agarra. Engraçado que quando Giulia dança um tango altamente sensual com a mulher do professor, Anna (Dominique Sanda), ele, assim como o resto do restaurante em que a cena ocorre, fica escandalizado, enquanto que Quadri aceita a cena e apenas comenta como as duas estão bonitas.

Marcelo e seu antigo mentor discutem no escritório desse último o mito da caverna de Platão. O mito diz que, numa caverna, existem prisioneiros acorrentados que vêem apenas as sombras de figuras sendo projetadas em uma fogueira. ‘’E como somos parecidos com eles’’, filosofa Marcelo. O professor abre uma janela, a sombra de Marcelo desaparece. A sombra de Marcelo desaparece.

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